REINO DE MENTIRAS

                                              

Políticos mentem; é verdade. Alguns mentem mais do que outros. Mas ninguém jamais viu um deles mentir tanto quanto o despresidente que tem nos levado à trágica situação que estamos vivendo. Que foi eleito à base de Fake News, mamadeiras de piroca e kit gays. Tão afeito à mentira que, em nenhum momento que mente – que é todo o tempo em que se dirige a algum público – sua cara treme.

Não tremeu, por exemplo, em Anápolis, domingo passado, em uma igreja evangélica.

Lá afirmou, again e again, que na eleição que o elegeu em 2018 houve fraude. Quando disse isso pela primeira vez, em 2020, acrescentou que tinha provas e as mostraria. O que jamais fez, tais provas jamais existiram, mas não importa: o que importa é continuar repetindo a mentira.

Lá afirmou também, mais uma vez, em seu português de miliciano, que as medidas de isolamento social para conter a pandemia têm o objetivo de derrubá-lo. “Vamos fechar tudo, lockdown, toque de recolher, que a gente pela economia tira esse cara daí.” Não vê o país chorando seus mortos. Não reconhece o que faz. Lança a culpa nos governadores e prefeitos. Tece uma esdrúxula teoria da conspiração.

Inventou, recentemente, que há super notificação de casos de morte por covid, feita pelos Estados interessados em obter mais recursos federais. Médicos e hospitais, portanto, fazem parte dessa farsa que ele anda agora repetindo à exaustão, tentando torcer as estatísticas para ocultar o genocídio que ele está praticando com o povo brasileiro, não os outros.

Defendeu outra vez sua ideia fixa do “tratamento precoce” comprovadamente ineficaz. Continua a defendê-lo mesmo no momento em que a CPI da Covid investiga detalhadamente como ele deixou o povo brasileiro à deriva ao não aceitar as vacinas oferecidas a tempo de evitar grande parte das quase 500 mil mortes que continuam aumentando todo dia, toda hora, em todo o país.

As mentiras escorrem de sua boca perversamente sem máscara e infectam os fiéis já incapazes de se defenderem contra elas. Crê-se um novo Goebbels tupiniquim: “Uma mentira dita mil vezes torna-se verdade.” E vai criando uma versão paralela da realidade, preparando um terreno onde possa aparecer como “inocente” que não fechou nem um botequim, que não faz mais pelo país porque governadores e prefeitos “corruptos” não deixam. E repete e repete e repete. E a máquina estatal segue junto, também repetindo, repetindo, repetindo.

Temos que tirar o chapéu para alguns jornalistas que desvelam também, dia após dia, as mentiras antigas e as novas mentiras. Temos que apoiar a CPI da Covid que tem sido incansável na busca da versão verdadeira de tudo isso. Temos que saber que são muitos os que estão denunciando cada um desses absurdos, dia após dia.

O cansaço que invade é enorme. Mas enquanto a indignação for maior, há esperança. Enquanto houver certeza de que a luta e a resistência acenderão uma luz no final do túnel, há esperança. Enquanto pudermos nos contrapor a cada uma de suas mentiras, esse reino paralelo poderá vir ao chão.

Crônica publicada em O Popular em 17 de junho/2021

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