Sexta de crônicas

Somos todos políticos

Vi um fato curioso na minha caminhada costumeira pela Av.Paulista, domingo passado.
Um cara simpático, bem vestido, prancheta na mão, e certamente com mais de 30 anos, abordava, educado, as pessoas que passavam, fazendo uma pergunta insólita:
“Você sabe a diferença entre voto distrital e proporcional?”
O casal a quem o vi fazer a pergunta não sabia.
“Não se preocupem, quase ninguém sabe”, ele disse. “Nesse momento em que se fala tanto de reforma política, pouca gente sabe a diferença. Eu sou a favor do voto distrital e gostaria de explicar para vocês a diferença, mas a questão é muito complexa, exige tempo, e não quero atrapalhá-los. Mas se me derem um e.mail, gostaria de lhes enviar uma explicação bem detalhada sobre isso.”
O casal, muito tranquilamente, deu a ele o e.mail.
O cara simpático não estava em um grupo, como em geral acontece em situações como essa. Estava só. Até passei, na volta, pelo outro lado da avenida, para ver se havia algum companheiro seu fazendo a mesma coisa mas, se havia, não vi. Aparentemente, ele era o único ali, àquela hora.
Essa solidão me intrigou. Taí um trabalho de formiguinha.
E me intrigou também a maneira como as pessoas foram acessíveis à abordagem dele.
O mais provável, ou quase certo, é que ele tivesse algum interesse particular ou partidário no voto distrital mas, naquele momento, parecia agir com muita transparência em seu proselitismo. E as pessoas que estavam lhe passando os e.mails tão tranquilamente, com certeza demonstravam um interesse de entender melhor o assunto. Talvez depois se arrependessem, se sua caixa de entrada de e.mails se enchesse com algum tipo de propaganda política, mas o fato é que, naquele momento, o militante solitário daquela maneira clara e simples estava lhes despertando a curiosidade de saber e poder se situar sobre a questão.
Interessante, isso. Bacana. Pessoas vivendo a política numa manhã de domingo, compreendendo que ela faz parte da sua vida e que é melhor entender a diferença entre uma coisa e outra.
Estamos de fato vivendo um momento diferente em nosso país. Um momento em que muitas pessoas começam a entender que a política é algo que diz respeito a seu dia-a-dia. Começam a se interessar por política, querendo saber de política, vivendo a política que antes só viviam na hora de dar seu voto, sequer sabendo direito em quem ou no que estavam votando. Começam a entender que os políticos não são donos da política, e que todo cidadão, mesmo sem o saber, está fazendo política.
Melhor, portanto, assumir que isso é mesmo assim, e procurar se informar bem para fazer as coisas funcionarem como gostariam.
E você, por falar nisso? Sabe a diferença entre voto distrital e voto proporcional?


(Crônica publicada em “O Popular”)

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6 respostas para Sexta de crônicas

  1. yuribaiocchi disse:

    Quando você vem a Goiás…? Vi uma foto sua na cerimônia do centenário de Peixoto… Quando vier, avise-me. Minha prima Déborah me contou um fato interessante da infância de vocês, de quando passavam férias na pequena Jaraguá…! Ele me disse que todos os anos havia uma quadrilha, organizada pela Terezinha (Filha do “Zezinho Siqueira”) e Sissi (Filha de Circe), tinha uma barriquinha, uma neta de Tia Nhola tocava acordeon, tinha uma competição de “compra de votos”… As meninas formavam duplas… Nesse ano que estou contando, a dupla ganhadora foi a de Déborah e Paraguassú, elas conseguiram vender todos os votos primeiro… E como prêmio dançaram com Flávio, seu irmão. Se lembra disso…? (A Déborah é Procuradora da Fazenda Federal aposentada, a mãe dela se chamava Lucy, é filha de Augusto Rios, e o pai dela se chamava Aldahyr, nasceu no Rio de Janeiro mas veio para Goiás para ser Delegado do D.O.P.S., já Paraguassú é filha de meu Tio Moacyr Rios e de sua prima Genny Rios, e é afilhada de Galiana).

    Meu número é: (062) 9430-0191.

    Abraço…!

    • Olá, Yuri! Obrigada pela visita ao meu blog.
      Sim, me lembro muito bem das quadrilhas que dançávamos em Jaraguá. Só não me lembro do Flavio ter sido “prêmio”. E lembro, sim da Déborah e Paraguassú, afilhada da minha mãe. Mamãe gostava muito dela e da Genny. Mande-lhes um beijo da minha parte. Outro pra você também.

      • yuribaiocchi disse:

        É mesmo estranho ter seu irmão como prêmio… Rsrsrs… Transmitirei o abraço à elas…!

  2. yuribaiocchi disse:

    Aproveito novamente para refazer uma pergunta que você não respondeu…
    Quando você vem a Goiás…?

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