Odivelas, Lisboa, Portugal

Na próxima semana, sigo para Lisboa.
Vou participar do III Encontro de Escritores Lusófonos, em Odivelas.
Entre os autores de Portugal, Angola, Moçambique, Timor-Leste, Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau e Brasil, estão Valter Hugo Mãe, José Luis Peixoto, Ungulani Ba Ka Khosa, Luís Cardos, Antônia Pimentel, Ana Paula Tavares, Maria Tereza Horta, Goretti Pina, Beatriz Weigert, Emílio Lima e Manolo Rivas, só para citar alguns.
Minha mesa, com Ana Mafalda e Paula de Lemos, tem como tema um verso da grande Sophia de Mello Breyner: “De tudo quanto vejo me acrescento”.

E para que não digam que os deixei a sós, eis o belíssimo poema de onde esse verso foi tirado:

Poema

Sophia de Mello Breyner Andresen

A minha vida é o mar o Abril a rua
O meu interior é uma atenção voltada para fora
O meu viver escuta
A frase que de coisa em coisa silabada
Grava no espaço e no tempo a sua escrita

Não trago Deus em mim mas no mundo o procuro
Sabendo que o real o mostrará

Não tenho explicações
Olho e confronto
E por método é nu meu pensamento

A terra o sol o vento o mar
São a minha biografia e são meu rosto

Por isso não me peçam cartão de identidade
Pois nenhum outro senão o mundo tenho
Não me peçam opiniões nem entrevistas
Não me perguntem datas nem moradas
De tudo quanto vejo me acrescento

E a hora da minha morte aflora lentamente
Cada dia preparada

Anúncios
Esse post foi publicado em Encontros. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s