“Pauliceia” em Brasília

Essa crônica foi publicada em “O Popular”, semana passada, quando fiz a noite de autógrafos do “Pauliceia de mil dentes” em Goiânia.
Como na próxima segunda, dia 25, farei também uma noite de autógrafos em Brasília, dedidi republicá-la aqui.


PEQUENÍSSIMOS RITUAIS

Vivemos em uma sociedade que ama rituais. Mais ainda: precisa deles.
Não vivemos sem essa reafirmação de que somos parte de uma sociedade e nada somos sem nosso grupo de semelhantes.

Nisso, como em muitas outras coisas, ainda somos bem semelhantes a nossos antepassados que dançavam em torno de belas fogueiras para pedir ou agradecer a caída das chuvas.

Dançamos de outro jeito, hoje, mas no fundo a dança é a mesma. Basta que tenha um significado para nós.

Um bom significado é o que o ser humano procura sempre, e daí que a sociedade contemporânea – esperta como ela é – ritualize quase tudo. Se no início dos tempos, os ritos nos conduziam mais a atos solenes, mesmo sagrados, hoje até uma ida a um restaurante tem os seus – por mais ridículos que possam nos parecer.

Temos ritos que são de fato importantes – como os que comemoram o nascimento de um filho ou a morte de um ser querido – e os que não têm importância nenhuma – como as festas de debutantes e este sobre qual falarei daqui a pouco. Temos os que nascem de nossas necessidades mais básicas, e temos os que nascem tão só do marketing – como a estreia de uma peça de teatro, um vernissage, e a noite de autógrafos de um livro (pronto, falei), cujo objetivo explícito é a divulgação e a venda.

Ou dito de um jeito mais bonito: a noite de autógrafos é um pequeno ritual que autores, editores e livreiros auspiciam para mostrar que um livro existe.

Houve uma época que isso não era tão necessário assim, pois um livro novo recebia naturalmente a acolhida das livrarias, que ofereciam suas vitrines para mostrá-lo a seus leitores em potencial. Era relativamente raro – ah! um livro! – muito diferente do momento atual em que as editoras lançam dezenas de títulos por mês. Em um país que publica cerca de cinquenta mil títulos novos por ano, é preciso reconhecer que as livrarias não têm sequer espaço físico para acolher a todos. Somando a isso a comodidade e pouca competência de algumas, que preferem trabalhar principalmente com best-sellers, o resultado é que os autores contemporâneos, além de escrever seus livros, se veem também na obrigação de atuar como caixeiros viajantes pelo país. Ou, pelo menos, nos lugares do país onde são convidados a comparecer (que, lamentavelmente, não é pelo país inteiro. Até que seria bom se fosse!).
Portanto, aqui estarei eu, em Brasilia, na próxima segunda, dia 25 de fevereiro, para o pequeno ritual de lançamento do meu novo romance “Pauliceia de mil dentes”, na Livraria Cultura, do Shopping Iguatemi, a partir das 20 horas. Convido a todos vocês, queridos leitores e amigos, para darem uma passadinha por lá.

Não me deixem sozinha ao redor de minha pequena fogueira!

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