Felicidade a todos vocês.

Volto a postar aqui um conto que postei no ano passado, porque é o máximo que posso dizer sobre esse momento inescapável na vida de todos anos.

Meu “Pinheiro Branco”

Felicidade: vou lhe contar uma história. Uma história sua, menina, de quando você nasceu e recebeu esse nome tão diferente de seus irmãos.

O primeiro que nasceu ia receber o nome de Augusto, mas era 25 de dezembro e sua mãe declarou, daquele jeito que tem pra falar comigo, revirando qualquer palavra pra torná-la um carinho: “Se nosso nenê escolheu esse dia pra nascer, por algo será, meu Estrupício. Vamos lhe dar o nome de Natal.” Com a segunda, Natália, foi a mesma coisa. Nascida no dia 25 de dezembro, dois exatos anos depois. “Quer dia mais bonito pra nossa filha nascer, meu Ypsílon!?” Não sei como sua mãe contava suas datas mas não errava: de dois em dois anos, na noite de 24 de dezembro, lá íamos nós pra maternidade e o bebê nascia na manhã seguinte, de parto natural. Dessa vez, até que achei bonito quando ela disse: “Natal e Natália, nosso parzinho de filhotes, meu Enxame de Abelhas!”

Dois anos depois, Noel; outros dois, Noélia. Quando eu lhe dizia que nem parecia a mesma mulher que vivia com seus “meu Nucumpativo”, “meu Diabinho a Quatro”, “meu Martelo dos Deuses”, meu qualquer coisa que lhe ocorresse pra me chamar. Na hora de dar nome aos filhos, sua imaginação parecia colapsar. Ela sorria, “O que posso fazer, meu Armário Embutido?” E embora jurasse que não era de propósito, dava esse jeito de parir sempre no mesmo dia. Anos a fio.

Quando veio o Natalino, pensei em rebelião. Mas ela quase morreu daquela vez, e de olhinhos febris, pediu, “É minha última vontade, meu Colapso Nervoso.” E ficou Natalício. Dois anos depois, Natalino. A essa altura, eu já estava como que enfeitiçado, pedindo ao médico que me explicasse como é que ela estabelecia a data do nascimento dos filhos só pra lhes dar esses nomes, e ele ria. “Coincidência pura”, dizia. Pois sim.

No sétimo, achei que ela não conseguiria. Mas conseguiu, e lá fui eu acabrunhado registrar Natividade. A essa altura, eu já havia esmorecido e daria qualquer nome que ela quisesse. Bastava que me chamasse de “meu Terreno Baldio’, “meu Lusco-fusco”, “meu Milharal”, que eu fazia o que ela pedisse.

Então, veio a oitava gravidez, a sua. Outra vez ela passou mal e o médico avisou, “Vamos ter que ligar essas trompas.” Deu uma piscadela pra mim, “O senhor não terá mais esses natalícios em casa.” E foi então que, vendo sua carreira de natais na maternidade se encerrar ali, ela me disse, “Está bem, meu Sapatinho na Janela, dessa vez escolha você o nome.”

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