Porque eu gosto do rap

O rapper Dexter já foi ladrão, preso por assalto à mão armada, essas coisas. Na prisão, onde ficou 13 anos, ele afirma que se salvou pelo rap. É ele quem diz, por exemplo, em uma música que critica o investimento maior na repressão e não educação, “que enquanto uma escola é construída, já se tem dez prisões a mais para inaugurar.”

Em uma esclarecedora entrevista a Julio Maria, no Estadão de hoje, ao ser perguntado se “não fica em uma saia-justa com os criminosos que conhece quando tem de compor um rap dizendo que o crime não compensa”, ele diz:

“Irmão, nem os caras gostariam de estar na vida em que estão. Eles sabem que minha negativa em relação ao crime é legítima porque eles também são a favor disso. Quem cria tudo isso? O sistema, a televisão faz isso o tempo todo. É o iPod, é a Nike, é o melhor carro. É como se dissessem que para você ser uma pessoa bem-sucedida, você tem que ter aquilo ali. E isso só piora quando o cara que vê isso não tem educação, não teve incentivo para estudar, para ser alguém. Ele vai para o crime. Quantos deles já me disseram: “Pô, negão, se eu tivesse a oportunidade de ser um rapper…” Eles sabem que eu não posso sair por aí vangloriando o crime porque eu sei para onde o crime leva. Daqui a pouco o cara está morto na mão da polícia ou está em uma cadeira de rodas. Eles sabem disso.”

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