DE UM POETA

Afonso Henriques de Guimaraens Neto, querido amigo poeta, com vários livros publicados, comentou ontem um post meu de julho, “O que pretendo fazer em Paraty”. Ali eu dizia que iria para a homenagem a nossa querida Rachel Ribas, cujas cinzas seriam plantadas no jardim de sua casa junto com um pé de jasmim manga e flores. Dizia também que, como já estaria lá, ficaria para a Flip.

Como nem todo mundo abre os comentários, posto aqui para vocês o comentário e o poema que AFonso fez para Rachel e Marquinhos, que criaram o Grupo Contadores de Estórias e o Teatro Espaço de Bonecos de Paraty.

“Gostaria de saber (mesmo com todo esse atraso), Zezé, como foi a sua estadia em Paraty na Flip. Quis muito ir, mas não foi possível. Fiquei pensando na belíssima homenagem à nossa queridíssima Rachel que você mencionou na mensagem. Me lembro que na segunda Flip, já se vão tantos anos, o Marcos idealizou e me pediu ajuda para realizar uma “off-Flip” (que depois foi absorvida pela própria Flip oficial, veja só) lá no Teatro Espaço, insatisfeito que estava com o pouco caso da organização da Flip em relação aos artistas de Paraty. Ajudei a levar poetas e pessoas ligadas à cultura até o Teatro, como o Chacal, a Cláudia Roquette-Pinto e a Heloisa Buarque de Holanda. Foi muito legal, e a Rachel participou demais. Em outra oportunidade, estávamos eu e Cêça ao lado da Rachel na varanda da casa dela, quando vimos um tiê-sangue pousar próximo de nós. Ficamos maravilhados, e me lembro do brilho de emoção nos olhos da Rachel. Na véspera, eu e Cêça havíamos assistido mais um espetáculo dos bonecos, e com tudo isso junto dentro de mim, começou a sair um poema que depois dediquei ao casal amigo. Em homenagem a ela, me empreste este espaço, Zezé, para eu arremessá-lo outra vez no vento (e deixar um abraço muito forte pro Marcos):


MATURANDO

a Rachel e Marcos Ribas, contadores de estórias

toda mágica supõe lenta maturação.
recolha uma rara imagem da infância
e a lance no voo do tiê-sangue
e da nuvem ao fundo despeje a chuva
sobre um amor antigo
desenho a cantar no barro do tempo
sabor-frêmito de cristal
então forma
poesia
silêncio a se escrever música no aberto.
toda mágica supõe um céu maravilhado.
a destilação é lenta
sabemos
pois de um jovem perfume
sentir a sombra de um susto
a descoberta da luz em flores mortas
porejar essências quando a surpresa
flutuar abismos
brancos teatros do invisível.
mágicas que são bonecos
narrando o que o poema busca nas fábulas
e nas auroras.

Beijos,
Afonso”

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Uma resposta para DE UM POETA

  1. Marcos disse:

    Legal o Afonso re-publicar o poema aqui. Ele está também no livro comemorativo dos 40 anos dos Contadores. Beijos para vocês. Todos amigos queridos de tanto tempo, parceiros do jogo de dicionário …

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