Café da manhã

A mesa do café da manhã está posta quando ela entra na copa e se senta.
Sobre a mesa redonda de mármore cinza, três forros do jogo americano com estampas de flores azuis e, sobre eles, chávena e pires por cima do prato de sobremesa, todos de porcelana branca. Talheres dispostos a um lado, remédios diários de outro, à frente a lata vermelha da manteiga de qualidade e melões picados na pequena tigela também de porcelana branca. Ela primeiro pega a tigela e come os pedacinhos da polpa quase transparente dos melões doces, depois toma devagar a chávena de leite desnatado frio. Telma, a empregada, entra com o bule do café feito na hora e a cesta com um pãozinho quente.
“Bom dia, Dona Débora.”
“Bom dia.”
Telma volta para a cozinha e Débora despeja o café na chávena vazia até quase enchê-la – é sua hora de tomar todo o café que deseja. Com os dedos corta dois ou três pedaços do pãozinho, abre a lata a sua frente, pega a faca para besuntá-los de manteiga.
Faz tudo com muita calma, quase lentidão, nesse momento em que olha o mundo preso do outro lado de sua janela e desfruta a ordem aparente dos seus dias que, sentada a seu lado, sussurra a seu ouvido, Ainda estou aqui.

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