Um miniconto horrível para um dia de tempinho horrível

Yovanka, a namorada do canibal

Ele era super religioso e, não, não usava drogas, e me fazia sentir muito segura quando eu estava ao lado dele. Um cara alegre, super bem humorado. Nunca, nunca mostrou sinais de violência nos quatro meses que passamos mais ou menos juntos. A gente ia e transava à noite e, de manhã, eu caprichava nas panquecas pra ele, com maple syrup, sabe?, o xarope de bordo que ele super gosta e eu também, e a gente lia a Bíblia e o Alcorão, depois era hora de assistir programas religiosos na televisão. Ele – e eu também, por causa dele – a gente era cristão devoto e mais ou menos querendo saber como é a fé muçulmana. E não, nunca, ele nunca consumiu álcool perto de mim, e uma vez, só uma vez, fumou maconha. Eu nunca fumei nem bebi, inclusive por causa meus filhos, sabe?, que não eram dele, mas era como se fosse, porque ele gostava dos três.

E então, naquele dia, de repente, quando me dei conta, ele estava batendo num morador de rua, e tirando as roupas dele e começando a comer seu rosto.

Foi quando a polícia chegou.

Uma versão da entrevista coletiva com Yovanka Bryant que se apresentou para “contar a verdade” sobre o “canibal de Miami”, em 26 de maio deste ano.

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