Quem vivenciou o passado

“– O que realmente temo é o tempo – prossegue. – Ele é o verdadeiro demônio: fustiga-nos quando preferíamos ficar à toa, levando o presente a passar a toda velocidade, impossível de ser contido, e quando se vê, tudo se torna passado, um passado que não se aquieta, que flui, formando histórias espúrias. Meu passado… não parece nem um pouco real. A pessoa que o vivenciou não fui eu. É como se o meu eu atual estivesse sempre se dissolvendo. Tem aquela frase de Heráclito: “Ninguém se banha duas vezes no mesmo rio, pois as águas já não as mesmas, nem a pessoa. ” Está certíssima. Gostamos dessa ilusão de continuidade e a chamamos de lembrança. O que explica, talvez, por que nosso maior temor não é o fim da vida, mas o fim das lembranças.”

“Os imperfeccionistas”, de Tom Rachman

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