Da minha janela

Ontem, terça-feira, 3 horas da tarde, sol de rachar e uma mulher pula do viaduto frente ao MASP, sobre a 9 de Julho. Cai sobre a capota de um carro que passa e quica para a avenida.
Não consegue morrer, a pobre. Pelo menos não ali, na hora. Fica lá estendida no asfalto escaldante, cercada por várias pessoas até chegar o corpo de bombeiro e, não sei porque razão, um helicóptero para levá-la. Se não morrer, ficará aleijada.
Mais uma vez penso que devia ter uma lei que ajudasse as pessoas que desejam morrer.
Não consigo entender a hipocrisia de uma sociedade que condena o suicídio, mas aceita com passividade os sofrimentos que levam ao suicídio.
Se fosse eu a legislar, construiria centros especiais destinados a ajudar a pessoa que não quer mais viver, seja por sofrimentos físicos ou psíquicos – os dois são motivos poderosos. Uma pequena triagem para ver se é esse de fato o seu desejo claro, e depois alguma aplicação indolor para ajudá-la a seguir o caminho que escolheu.
Seria mais humano.

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4 respostas para Da minha janela

  1. Luiz Augusto Chein disse:

    Em tese, concordo com você, Zezé. Não concordo com o “suicidando” que, para chamar a atenção – do companheiro, dos pais, da sociedade – toma 10 comprimidos de Diazepan, meio copo de soda cáustica ou uma “giletada” no pulso em onde percebe que só vai sangrar, ou coisas do gênero, dando um trabalho infernal para o médico que o atende. Eu não faria o que digo, mas seria interessante a orientação no sentido de mostrar que, para quem quer partir desta, um tiro de 12 no céu da boca, ou o salto do 30º andar de um edifício ou 1 kg de mata-rato legítimo ou até uma morte suave por injeção de 3g de Thiopental na veia alcançaria o resultado desejado pelo pretendente a defunto. A criação do seu Centro de Triagem seria ótima solução.

  2. Rodrigo Ribeiro disse:

    Boa noite Maria,

    Gostaria de dividir algumas informações com você a respeito deste ocorrido que você citou. Para mim é muito importante acabar com algumas tristes dúvidas. Por favor, se possível, mande um e-mail para mim para conversarmos mais.

    Abs,
    Rodrigo

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