Lendo de pé

Agora que adotei o metrô como meio de transporte em certas horas, tenho desenvolvido uma grande admiração pelas pessoas que ficam lendo de pé dentro do vagão. Equilibristas natos. Autênticos artistas de circo, na minha equilibrada opinião.

Vagão vazio, já vi um jovem de pé lendo um livro de Oscar Wilde no meio do espaço entre os bancos, as duas pernas um pouco afastadas e sem se encostar em nada, mochila nas costas, concentrado, não sentindo sequer aquele balanço puladinho que a freada dá no final.
Quando teve que descer, praticamente desceu lendo.

Vagão meio cheio, já vi uma mulher por volta de seus 40, lendo um livro volumoso perto da porta, mas sem se encostar, bolsa na barriga, e ela tampouco ergueu os olhos na hora do pulinho da freada. Aliás, de todos que já vi lendo em pé – e se não foi multidão, tampouco deu pra contar nos dedos da mão – ninguém sequer estremece nessas freadas, parecendo ter pés colados no chão.

Agora, em vagão cheio nunca vi. Por culpa minha, suponho, que não entro em vagão cheio, pois imagino que aí, sim, é que esses atentos leitores devem passar a viagem lendo de pé, embora já não se equilibrando mas espremidos entre costas, bunda, coxas, e todo tipo de membros. Deve dar até para apoiar o livro no pescoço do cara na frente.

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