Parri à meia-noite

A princípio, não me emocionei muito com o filme recente do Woody Allen, “Meia-noite em Paris”.
No entanto, ao ver daqui e dali o quanto ele anda mexendo com o imaginário de uma geração – a nossa, os maiores de 50/60 anos, que cultivamos Paris como um tipo peculiar de “alma mater”, – comecei a pensar mais sobre ele. E não é difícil entender o fascínio que o filme tem provocado. Basta soltar o pensamento e seguir o que seu autor propõe – a maneira mais rica, aliás, de seguir qualquer tipo de obra.
Daí, foi natural pra mim pensar em uma grande amiga que se parecia muito com a Marion Cotillard, encarnando sua personagem dos anos 20. O mesmo corte de cabelo, as mesmas roupas, a mesma beleza suave, e o mesmo espírito. Com uma diferença: minha amiga elegeu há muito como sua “época dourada” a vida nos castelos da Idade Média, embora eu acredite que também se sentiria bem na Paris do Moulin Rouge, de Toulouse Lautrec e Gaugin, a escolha da personagem da Marion. Creio que minha amiga também se sentiria muito feliz nos anos 20, vestida como a Marion, com suas roupas da Belle Époque e seus amigos – Picasso, Hemingway, os Fitzgerald. Só duvido um pouco que ela tivesse a coragem de mostrar suas poesias para Gertrude Stein.
Parri, nossa imaginação, e Sidney Bechet tocando ao fundo com seu vibrato francês, “Si Tu Vois Ma Mère”: é só se deixar levar que ele se torna mesmo um belo filme.
Coincidência ou pas, o apelido da minha amiga em seus tempos parisienses era, justamente, Mère. Hoje ela mora em sua cidade natal mineira, não gosta de Internet, no cinema só revê os clássicos de antigamente, e é pouco provável que algum dia veja o filme Woody Allen. Muito menos ainda, lerá este post.

Para quem quiser escutar o lindo solo do Sidney Bechet é só clicar aí embaixo:

A música da abertura do filme \"Meia-noite em Paris\"

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Uma resposta para Parri à meia-noite

  1. Tania Mendes disse:

    Ah, Zezé, Parrri!!! Lindo tempo passamos ali, tão cheias de sonhos e numa cidade propícia a eles,não é? Claro que Mére não vai ler seu post nem ter o imenso prazer de ver este adorável, delicioso filme. Quase tão bom quanto Paris em qualquer século, passado ou futuro!

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