De mudanças e incertezas

Não é que eu concorde exatamente com tudo o que ele diz, mas Zymunt Bauman, sociólogo/filósofo polonês, é um cara que tem um jeito muito interessante de levantar questões e apontar características que marcam a sociedade em que vivemos. É daquele tipo de pensador provocante que sistematiza com linguagem nova coisas talvez já sabidas, obrigando-nos a pensar nelas sob ângulos diferentes. O tipo de pensador de que o mundo sempre precisa. Eu gostaria muito de ter sido aluna dele e, sábado passado, em entrevista para o “Sabático”, no Estadão, o velhinho disse algumas coisas que vale a pena repetir aqui. Como esta:

“Todos nós, em cada canto deste planeta, somos modernos. As formas de vida moderna podem diferir em muitos aspectos, mas o que as une é precisamente sua fragilidade, fugacidade, seu pendor para câmbios constantes. “Ser moderno” significa mudar compulsivamente. Não tanto “se”, mas “estar se tornando”, permanecendo incompleto e subdefinido. Cada nova estrutura com a qual substituímos uma anterior, declarada obsoleta, prefigura um arranjo admitidamente temporário, “até nova ordem”. Então, a modernidade muda suas formas como o lendário Proteu… O que tempos atrás era apelidado erroneamente de “pós-modernidade”, e que prefiro chamar de “modernidade líquida”, traduz-se na crescente convicção de que a mudança é a nossa única permanência. E a incerteza, a nossa única certeza.”

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