Perdoem este estranho post

Coisa estranha que só o afeto explica: para mim, de hoje em diante, São Paulo não será a mesma.
Duas amigas/irmãs que vieram para cá quando eu vim, e com as quais tenho convivido todos esses anos, voltaram hoje, de mala, cuia, vinhos e biblioteca, para sua cidade natal, Bambuí, interior de Minas.
Desde que chegamos, em meados de 69, amamos esta cidade com a paixão da juventude e um encantamento permanente. Chegamos recém-formadas, vindo de uma reveladora estadia em Paris, e vivemos, nesta cidade, as emoções então previstas para os jovens, inclusive as clandestinas e as armadas.
Tempos ruins e bons, viu? Alguns bem ruins, outros bastante bons.
Dos quais como consequência ficaram várias coisas. Entre elas, essa duradoura amizade.
E hoje, quando todos esses anos se passaram, essas duas amigas, Maninhas como as chamamos, duas gêmeas quase idênticas, Maria Luísa e Maria Lucia, fizeram suas malas, empacotaram suas coisas e se foram.
Na mala, além de outros detalhes sobre os quais não é o caso comentar aqui, levam uma biblioteca com cerca de cinco mil títulos do que de melhor foi publicado na área de literatura, história e ciências sociais nesse período. Só a formação e o significado dessa biblioteca mereceria um romance que, lamentavelmente para mim, me proibi de escrever.
Elas se foram.
E a única coisa que pude fazer neste momento foi me recusar a me despedir.

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