O que relembrei outro dia com a Nunum

Os bebês: eles não fazem outra coisa no mundo, mal abrem os olhos, a não ser se exercitar no aprendizado contínuo de pegar, mexer, coordenar os movimentos, tentar fazer sentido para o que vê, e repetir, repetir, mexer, mexer, e se arrastar, sentar, engatinhar, se levantar, e andar. Todas as horas do dia, o dia todo, o tempo inteiro. São meses e meses dedicados inteira e completamente à aprendizagem do controle dos movimentos e do olhar e do ouvir e reconhecer, e do pegar, por na boca, e passar do tatátá bábá para a articulação da fala.

Como não têm a nossa ansiedade, em todos esses exercícios está o puro prazer de interagir com o mundo. Claro: é também onde aprendem a sofrer. Cansam, se irritam, choram impotentes. Algum pequeno músculo deve doer. E então fecham os olhos e descansam. E ao abri-los, começam tudo outra vez. Todos os dias, todos os minutos, segundo a segundo. É assim que vão crescendo, de pequenas a grandes conquistas.

Por que será que nos esquecemos disso?

Por que, depois, jovens e adultos e idosos passamos a achar que as coisas devem acontecer sem esforço, devem ser fáceis, caso contrário deixamos pra lá? Quanta gente desiste de planos e projetos e sonhos e desejos na primeira dificuldade?

Conheço um monte.

Esquecem que jamais, nunca, desde o momento em que chegaram ao mundo, a vida foi dada de mão beijada. Esquecem que a primeira coisa que aprenderam. quando abriram os olhos naquele primeiro segundo em que o ar entrou ríspido em nos seus pulmões, foi muito simples: ou você descobre o prazer que também existe no esforço de interagir com o mundo. Ou morre.

O esquecimento, já no mundo adulto, dessa primeiríssima aprendizagem é o outro nome da autocomplacência, um dos defeitos mais destruidores que conheço.

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2 respostas para O que relembrei outro dia com a Nunum

  1. silvana disse:

    que graça, zezé, que bom tê-la na família e na arte para lembrar-nos das pequenas coisas importantes, um beijo da Silvana.

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