Sobre “Com esse ódio e esse amor”

No romance, conto duas histórias entrelaçadas.

Uma é a história de Lela, engenheira brasileira que está construindo uma ponte na Colômbia e é sequestrada pela guerrilha das FARC.

A outra é a do argumento de um filme que seu namorado – cineasta colombiano – está fazendo sobre Tupac Amaru, o mítico líder peruano da primeira grande rebelião pela independência da América Espanhola.

O fio que entrelaça as duas histórias é um amor que não deveria existir, mas existe.

A Colômbia, eu não conheço. E não defendo as FARC. O que conto sobre o país e essa guerrilha que dura cerca de 40 anos veio de muita pesquisa e de uma conversa de anos com minha amiga-irmã colombiana, Laura Duque Arrazola.

O Peru, sim, conheço e relativamente bem. Vivi lá quatro anos, onde estudei antropologia, tive meu primeiro filho, e publiquei meu primeiro livro (de ensaios sobre uma comunidade dos Andes peruanos). Qualquer dia volto para plantar uma árvore.

É um país que amo de coração e cuja riqueza cultural admiro profundamente. Um país marcado pelo conflito trágico entre duas culturas e dois povos: os descendentes dos quéchuas (há outras etnias, mas os quéchuas predominam), e os brancos, descendentes dos espanhóis e europeus, em geral.

Foi desse conflito que surgiu José Gabriel Condorcanqui, conhecido como Tupac Amaru, descendente da nobreza inca.

Embora as grandes batalhas dessa rebelião tenham sido travadas no Altiplano do Peru e da Bolívia, ela alcançou uma região que hoje corresponde a cerca de dez países. Sua história e seu líder fazem parte do imaginário das lutas libertárias da América Latina. Com o nome de Tupac Amaru, por exemplo, apareceram os “Tupamaros” do Uruguai, nos anos 60, e uma organização guerrilheira peruana, que atua até os dias de hoje.

Em torno de uma história de amor,  mostrar também momentos dessa história secular que continua incendiando o continente foi a ideia que fez nascer esse romance.

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4 respostas para Sobre “Com esse ódio e esse amor”

  1. Zezé querida,
    Essa idéia de ir servindo o livro em aperitivos foi aperfeiçoada no doi-codi? O que dá é vontade de cair inteira na trama e devorar frase por frase, sem intervalos, sem pit-stop. Vou lamentar não poder ir a São Paulo nessa data, mas adoraria abraça-la nesse dia 17. Quando faremos o lançamento em Brasília? Estou a postos.
    Amiga, invejo com carinho sua fertilidade, seu poço sem fim de idéias fantásticas, suas histórias, seus entrelaços. Abreijos carinhosos, Ana Maria

  2. Tania Mendes disse:

    Entrei prá falar quase a mesma coisa, quando vi que era a nossa Aninha, morri de rir! Tbém estou curiosíssima! Mais um sucesso, Maria José, com certeza. BJ e saudades de nós três. Fiquei curiosa tbém sobre o seu post prometido sobre nosso mais belo e castiço espanhol…

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