Declaração de voto 5

Raquel Naschenveng Mattes, analista de sistema, mãe de dois filhos, viveu os anos da Ditadura Civil-Militar na clandestinidade, em um bairro operário. Eis seu depoimento:

Como em todas as gerações, éramos garotas românticas que sonhavam com um grande amor, com casamento, com filhos e um feliz para sempre. Mas também sonhávamos com uma carreira, não repetir nossas mães na submissão aos homens, e principalmente com mundo justo, sem miséria, igualitário e principalmente solidário. Enquanto sonhávamos líamos Michel Quoist e, como na canção, ouvíamos o Beatles, os Rolling Stones e também Roberto Carlos, víamos a banda do Chico passar.

Mas assim como na canção, aqui também veio a Guerra. A guerra de uma ditadura que não nos deixou saída. Foi preciso ir à luta. Muitas de nós, ainda meninas, fomos para a frente da batalha, pois a ditatura era implacável: prendia, torturava e matava. E além de perseguir, reprimir a sociedade, aumentava a injustiça social, aumentava a fome do povo, aumentava a exploração e implantava as bases deste pais injusto e violento em que vivemos.

Nós resistimos, muitas foram presas, umas mortas, outras torturadas como a Dilma. Eu fui morar numa favela, depois num cortiço, depois num bairro operário, me escondendo. Aí tive meus filhos, sozinha, sem mãe, sem tia, sem amigas, e principalmente sem meu marido que, na hora do parto, ficou do lado de fora do hospital, temendo ser preso. Outras foram obrigadas a fazer abortos, como a Monica Serra, mas todas nós, meninas, lutamos contra as ditaduras, resistimos. Ajudamos a redemocratizar esse País.

E agora mais uma vez nos chamam para defender a dignidade de uma daquelas meninas, a Dilma, que se tornou uma mulher e continuou, como nós, em sua luta por um Brasil mais justo socialmente. Exatamente por isso, ela é odiada, sofre toda sorte de calunia, todo o ódio de uma classe cheia de privilégios e com a intenção de mantê-los.

Entre as duas candidaturas, é realmente a dela que mais se identifica com os ideais daquelas meninas sonhadoras que hoje são mulheres lutadoras. Por um Brasil sem miséria, mais justo socialmente.

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