Sexta de crônicas: As três harpias

(Só aparece uma, mas as outras estão atrás!)

Pois lá estão elas em seus poleiros, cobertas de penas pretas, tentando pose de imponentes. Mas não convencem. São dramáticas demais, horrendas demais, as garras fortes de seus dedos comprometem qualquer tentativa de parecer o que não são.
As duas mais severas culpam a menor por isso. A baixinha espevitada que depois de descer do galho das alturas deu pra dizer que está preocupada, já não consegue dormir. Há perigos à solta, diz. Cuidado! Alguns a consideram a pior de todas. Eu confesso que não sei. Entre as três, difícil avaliar o medidor de perversidades que vacila muito, uma hora para lá, outra para cá.
Afinal, são todas harpias. São todas más.
A que parece a mais velha – embora talvez nem seja já que, pela própria natureza de harpia, são todas velhas, horrendas e de vida longa – é a que tem um ar mais controlado. Nunca esquece os óculos. Um pouquinho ciclotímica, o que às vezes pode torná-la surpreendentemente remorseada e, sendo assim, capaz de dar uma ou outra canetada menos injusta. Não fala muito, não ergue a voz. É recatada. Não fosse a fome de poder, seu destino teria sido o do lar.
Já a que parece a mais nova – embora talvez tampouco seja, já que pela própria natureza de harpia… etc etc – tem as faces gorduchas e rosadas (haja ruge na bolsa). É a que anda se descabelando no quesito perversidades. Quer aparecer. Quer se mostrar. Quer inocentar os seus. Quer culpar os dos outros. Quer porque quer agradar aqueles a quem serve. Para conseguir o que deseja, qualquer hora dessas vai bater os pezinhos, ôps!, pezões (é óbvio que seus pés são grandes). Seu maior prazer é ficar trepada em seu galho, as unhas afiadas apontando: “Inocente!”, “Culpado!”, “Cortem-lhe a cabeça!”, “Desse não, que ele é fofinho!”
Corpo de ave de rapina e rosto de mulher, as três sobrevoam os céus, olhos fuçando as distâncias, garras capazes de cortar homem ou mulher ao meio. Usam litros de perfume inutilmente. À distância já se sente o cheiro pestilento que emana da carga pesada que carregam por dentro. Aninham-se nos chamados cemitérios modernos onde repousa a Justiça. Não fossem harpias, seriam cães.
Famintas, estão sempre a serviço dos poderosos. Formam a mão direita da Justiça cuja venda se esmeram em apertar mais e mais. Consideram-se supremas. Mas são apenas obsessivas. Inflexíveis e severas, perfeccionistas da maldade. Agarram-se com volúpia ao ofício ao qual chegaram às custas de bajulação e venda de suas almas no varejo.
Quando aparecem, dão medo. Por onde passam deixam um rastro de injustiças. Não à toa, a lenda as trata como parentes dos ventos destruidores, ciclones e tormentas. Alguns dizem que são imortais.
Mas não. Pelo menos isso é um engano. Dão essa impressão porque são substituíveis. Quando abandonam o ofício, entram outras iguais nos lugares que deixaram vagos.
Até que chegue o dia em que – oxalá não tarde tanto! – as que chegarem para ocupar esses lugares já não serão harpias.

(Crônica publicada dia 6/12/2018, em “O Popular”)

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Adeus, querida biblioteca!

Nesta fase da nossa vida – e por razões que não interessam aqui – Felipe e eu estamos vendendo nosso apartamento para mudar para um apartamento bem menor. Aqui vivemos 23 anos, nosso recorde de morar em um lugar. Mas o que eu quero falar agora é apenas da nossa biblioteca. Fora alguns livros selecionados por razões de pesquisa e de afeto, a maior parte deles foi vendida a um sebo. Neste exato momento em que escrevo, três rapazes estão empacotando os livros para levá-los.
Este, portanto, é meu adeus a essa biblioteca tão pessoal, surpreendentemente eclética, formada em nossos 49 anos de vida juntos, que mudou conosco para os vários lugares onde moramos e nos quais, como toda biblioteca viva e bem alimentada, foi crescendo, crescendo, crescendo. Sempre e bem.
Essa será a primeira mudança que faremos sem sua companhia.
Ainda que, na verdade, ela já não estivesse intacta e tampouco fosse a primeira biblioteca que começamos a formar.
A primeira, pequena, com alguns livros de ficção que amávamos ao lado dos livros marxistas e de análise e história da sociedade brasileira que não poderiam faltar por menor que fossem as estantes de livros de um “aparelho” do final dos anos 60 e começo dos 70, como o nosso. Quando esse apê foi invadido pela truculenta polícia política daqueles anos, todos os nossos livros foram levados. Uma pequena parte, depois de algum tempo, foi devolvida, e com eles minha sogra – no clima de terror da época – não viu outra saída a não ser fazer uma fogueira.
Iniciamos outra – esta que agora se vai – com uma pequena parte dos livros que, da clandestinidade e durante dois anos e meio, eu enviava para o Felipe e companheiros do presídio Tiradentes, em São Paulo. Os livros que saíram da cadeia com o Felipe foram aqueles que possuíam um significado especial para nós dois, como as poesias completas do Paul Eluard em francês – que ele, inclusive, começou a traduzir na prisão – e alguns volumes da “Comédia Humana”, do Balzac, editadas pela Plêiade.
No exílio no Peru, esses poucos livros começaram a dar suas crias. Quando voltamos, trouxemos a maioria, sobretudo os de antropologia e ficção peruana e latino americana. Entre eles, as obras completas de Jose Maria Arguedas e Vallejo – para citar apenas duas joias dessa coroa onde brilhavam outras. E também exemplares das revistas e jornais onde publicamos alguns artigos, ao lado de nosso primeiro livro, uma publicação conjunta com Rodrigo Montoya, um professor que nos marcou para sempre e ser tornou, também para sempre, um grande e precioso amigo: “Produccion Parcelaria y Universo Ideologico – el caso de Puquio”, Ed. Mosca Azul.
No Rio de Janeiro, onde moramos quando voltamos de Lima, nossa biblioteca começou a crescer vertiginosamente. Tanto pelas exigências da pós-graduação em Antropologia e Ciências Políticas que fizemos, como pela fundação da Editora Marco Zero onde Felipe Lindoso, Marcio Souza e eu, durante 18 anos, publicamos um catálogo diversificado de literatura brasileira e estrangeira, ciências sociais, história, e o que mais que de interessante caísse em nossas mãos. Nem tentarei citar aqui as joias daquele catálogo.
Quando nos mudamos para São Paulo – onde a Marco Zero teve seu período mais financeiramente tranquilo até que, no auge de sua produção, literalmente morreu de morte matada pelos praticantes de um capitalismo selvagem e burro com quem, lamentavelmente, nos havíamos associamos em um determinado momento (o que é outra história) -, nossa biblioteca cresceu como árvore em terra boa. O ofício de editores traz essa consequência: recebem-se muitos livros, e bons.
Passaram-se os anos e, em certo momento, resolvemos que já era hora de começar a desapegar de algumas coisas, entre elas, nossos livros – por isso, logo no começo desta despedida, eu disse que essa segunda biblioteca já não estava intacta. Aconteceu que tardamos, mas acabamos por reconhecer que a antropologia havia se distanciado bastante dos caminhos que tomamos, e fizemos uma lista dos livros da área que enviamos para a biblioteca do PPGAS – Programa de Pós-Graduação de Antropologia Social, que funcionava no Museu Nacional, no Rio de Janeiro, onde aprendemos boa parte do que um dia soubemos sobre a disciplina, e também fizemos queridos e preciosos amigos. Dessa lista, a bibliotecária do PPGAS fez sua escolha e mandou buscar já não me lembro quantas caixas. Lamentavelmente, foram livros que tiveram um destino literalmente sinistro, queimados que foram no grande incêndio de 2018, que transformou a parte onde funcionava a biblioteca em uma casca de tijolos.
A outra doação feita nessa época – com o mesmo procedimento de enviar uma lista antes para que a bibliotecária escolhesse o que lhe parecia de interesse – foi para o Sistema de Bibliotecas de S.Paulo. Outras tantas caixas tomaram esse rumo.
Naquele momento, paramos por aí.
Mas como livros, em casa de bons leitores, sempre se reproduzem, nossa biblioteca continuou crescendo. O que nos obrigou a tomar outra decisão, agora drástica, quando decidimos mudar. Um apartamento menor não comportaria essa biblioteca. Não haveria saída. Teríamos que ser ingratos e radicais.
É triste isso. Não recomendo a ninguém. Mas como a necessidade faz a fome, ou vice-versa, conseguimos.
Selecionamos menos de um quarto para seguir caminho conosco nessa nova mudança. Foi uma seleção feita a duras penas e com a profundidade de desapego que nos foi possível nesse momento. Feita tanto por motivos de pesquisa e trabalho como por razões sentimentais.
Com esses que ficaram, iniciaremos nossa nova biblioteca. Não será mais como esta que está indo embora. Tanto pelo espaço que não teremos como por outra decisão, essa, sim, admirável – acho eu –, tomada por sugestão de um amigo que já a aplica com alma leve e certo sucesso: assim que terminar de ler um livro, passá-lo para frente. Claro que com todas as honrosas exceções exigidas pelo trabalho e o afeto.
Seremos capazes? Vá lá saber!
Quem nos conhece sabe que tanto eu como Felipe somos crias de livros. Tanto que nos tornamos profissionais da área, primeiro como editores, depois como tradutores, os dois; escritora, eu; e ele, especialista em mercado editorial e políticas públicas do livro.
Quando ficou sabendo que estávamos desapegando de nossa biblioteca, um dos meus irmãos teve uma reação surpreendente: ficou indignado. Não poderíamos fazer isso. Seria um absurdo.
Já meu filho, com seu humor, comentou: Eita! Vão começar uma nova!
Minha filha do mato: Deixa a energia fluir, mamãe!
E minha sábia cunhada: Os livros vão para o mundo, mas o que você já leu ficará com você para sempre.
Claro que meus filhos, minha neta maior, e amigos interessados já haviam separado o que queriam. Para os netos menores foram os infantis (menos os das escritoras amigas que ainda permanecerão como livros da casa dos avós). E hoje separei vários para algumas queridas amigas escritoras – para que tivessem uma lembrança da minha biblioteca. Separei também outros para uma grande leitora que trabalha vendendo tickets de estacionamento perto do MASP. Sempre lhe empresto ou dou romances porque é um prazer contribuir para sua fome de livros.
Alguém já disse que uma biblioteca dá indicações muito precisas sobre seus donos, tanto pelos livros que eles já leram como pelos que pretendiam ler um dia.
A nossa já não dará essas indicações sobre nós.
Mas com certeza continuará dando indicações precisas sobre seus novos donos.
Que tenham, todos eles, a longa vida digna dos livros bons!!

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O “Fantasma de Buñuel” retornou agora também em edição impressa

Tem uma coisa curiosa com os livros: seu ciclo de vida. Que é bem mais curto do que nós, autores, gostaríamos. A criação incessante de novidades com as quais o mercado editorial se alimenta tem um lado triste. Natural, eu sei, e perdão se acho triste, mas acho.

Una-se a isso, a memória curta, a simples desinformação, e livros com a provecta idade de pouco mais de 10 anos aos poucos vão desaparecendo no limbo dos livros esquecidos.

Falo isso porque, de vez em quando, vejo menções aqui e ali sobre os livros de ficção escritos sobre o período da ditadura civil-militar. Fazem referências a alguns livros – geralmente, os que estão sendo lançados ou foram lançados faz pouco tempo. É pela assídua ausência nessas referências que penso, então, no meu romance, “O Fantasma de Luís Buñuel”. Publicado em 2004, conta a história de cinco amigos que se conhecem em 1968 na universidade e desde então se reencontram de dez em dez anos, colocando em dia suas vidas.

Esse foi um romance que, como o meu primeiro, “A mãe da mãe de sua mãe e suas filhas”, teve um relativo sucesso, foi reimpresso várias vezes, adotado em dois vestibulares, com uma venda de bem mais do que os 40.000 exemplares oficiais pois teve até edições piratas.

Para conversar sobre ele, tive vários encontros com turmas de mais de 500 jovens entusiasmados, discutindo, descobrindo a época, montando peças de teatro amador com seus personagens, e elegendo o livro como um dos seus preferidos. Estudos e resenhas foram publicados, e o romance também ganhou a Menção Honrosa da edição do Prêmio Nestlé que premiou Salim Miguel. Um livro muito bem recebido, portanto, e que me deixou feliz. Mas eis que, então, passados 10/12 anos, parece que ele sumiu do mapa (ainda que esteja em edição digital, com vendas constantes). A imprensa não sabe mais dele, tampouco autores e pesquisadores jovens que trabalham o tema. E não é que tenha uma exorbitância de livros de ficção sobre o período. Pelo contrário. Até hoje, são poucos os autores que se arriscam a fazer ficção sobre os anos de ditadura, e menos ainda os que obtêm um bom resultado.
Por que “O Fantasma de Luís Buñuel”, com apenas 12 anos, quer dizer, um romance não do século XX mas do XXI, desapareceu? Por que saiu das referências? Por que os jovens de 2004/2006 o amaram e os de hoje sequer sabem dele? Que mercado bárbaro, que jornalistas pouco informados, que pesquisadores pouco competentes, não?! Ou será apenas um efeito da síndrome da memória curta?

Seja como for, além da edição digital, temos agora também uma versão impressa, com uma capa muito significativa, criada por Laura Faíz Lindoso, minha neta. Tomara que ele agora conquiste novos leitores.
Pode ser comprado no endereço https://loja.umlivro.com.br/editora/z/zlf

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Sexta de crônica: Tanto falaram que lá foram eles!

Tanto falaram que lá se foram eles!

Foto de Rickardo Marques

Foi como jovem médico recém-formado que meu pai, José Peixoto da Silveira, colocou pela primeira vez os pés em Goiás, no começo dos anos 30. Formado em oftalmologia, foi convidado para trabalhar com seu prestigiado professor. Antes de assumir esse trabalho, no entanto, ele quis visitar os pais, lavradores de Cristais (MG), que venderam sua terra para comprar outra melhor em Itapaci, onde foram vítimas de um grileiro.
Consternado ao ver meu velho avô ainda trabalhando na enxada, meu pai decidiu ficar perto deles e se estabeleceu como clínico em Jaraguá. A miséria, isolamento e abandono que, como médico, viu na região transformaram-no para sempre. Os problemas eram demasiados para alguém sozinho resolver. Políticas públicas essenciais valeriam mais que mil médicos como ele.
Por isso, deixou a medicina e assumiu a política.
Em 1951, já como Secretário de Saúde de Goiás, criou o Serviço Itinerante de Saúde, seu orgulho. Por vários anos, médicos, dentistas e remédios chegavam periodicamente a regiões distantes, onde sequer havia estradas. Chegavam em aviõezinhos monomotores e pousavam nos descampados. Dessa maneira quase heroica, puderam fazer campanhas de vacinação e ações básicas de prevenção e atendimento.
Quase um século depois, qual não seria sua perplexidade ao ver que o interiorzão (não só de Goiás mas do país) ficará outra vez sem médicos, com a saída dos profissionais cubanos que, desde 2013, estiveram atendendo brasileiros nos lugares mais carentes e que, no entanto, o presidente eleito, por várias vezes, execrou e ameaçou.
No início do programa Mais Médicos, os brasileiros foram os primeiros a ser chamados. Pouquíssimos quiseram enfrentar os cafundós, e muitos dos que foram logo desistiram. Justamente para o preenchimento dessas vagas chamaram os cubanos, formados na pequena ilha cuja medicina é referência no mundo. A maioria deles já havia participado de atuação humanitária em cerca de 70 países, através da Organização Pan-Americana da Saúde, responsável por esse imenso trabalho de solidariedade internacional.
Até mais além do desprezo que nossos recém-formados têm pelo interior, outro fato é certo: a formação atual em nossas universidades não consegue atender à nossa demanda de médicos (o desejo de ficar nas principais cidades é tão só a cereja do bolo.)
Por essas razões, durante cinco anos, cerca de 20 mil colaboradores cubanos atenderam em mais de 3.600 municípios, chegando a cobrir um universo de 60 milhões de brasileiros. Mais de 700 municípios tiveram um médico pela primeira vez na história.
E se alguns de vocês estão empinando os narizes, julgando-se acima desses problemas, lembro que não raras vezes, até nós, bichos urbanos, podemos precisar de um deles. Minha filha Galiana, montanhista e escaladora, estava no interior de Minas quando teve um problema de saúde que poderia ter-se agravado caso não houvesse um solidário médico cubano ao alcance de sua mão.
Imagino como meu pai teria exultado se pudesse saber que um médico competente cuidou de sua neta. E como ficaria indignado ao ver um programa dessa grandeza se esfumar neste Brasil que temos pela frente.

(Crônica publicada em “O Popular” em 22/11/2018)

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De volta

Por vários motivos, estive um tempão longe deste blog.
Mas agora estou de volta.
Publico aqui minha crônica mais recente, publicada no jornal “O Popular” no dia 8 deste mês de novembro.

AS ESCOLHAS QUE FAZEMOS E AS QUE FAZEM POR NÓS

Tantas são as escolhas em nossa vida que preferiríamos não ter feito!
Pequenas, grandes, são inúmeras. Dizer que vivemos errando é quase uma tautologia.
Mas há uma diferença de abismo entre as consequências das escolhas pessoais que fazemos e as que nos são impostas.
As pessoais, quando se revelam erradas, por mais daninhas que sejam suas consequências, pelo menos temos a nós mesmos a quem responsabilizar e podemos dizer, “Calma! Da próxima vez, escolherei melhor.”
Ou podemos até achar que o prazer que nos trouxe a escolha compensa os males que ela porventura provocou.
Por exemplo, o cigarro. Comecei a fumar quando jovem e fumei durante bons anos da minha vida. Parei já adulta, quando percebi que a coisa não estava indo bem. Pensei que tivesse escapado. Mas qual! Quando vi meu pai e meu amado irmão morrerem pelos efeitos do tabagismo, reconheci que não havia parado a tempo e sofro hoje as consequências de um enfisema pulmonar. Paciência. Ninguém me obrigou a fumar e, pelo menos durante um bom tempo, essa escolha me trouxe um prazer só conhecido por aqueles que fizeram a mesma escolha. Portanto, de certa forma, ter fumado não foi completamente em vão, se é que me entendem. Se voltasse no tempo, escolheria não fumar, é certo, mas não me descabelo por ter feito o contrário. Fazem parte da vida essas cicatrizes.
Outro tipo de escolha séria, essa até mais comum, é a do casamento. Muitos não dão certo, talvez a maioria. Mas tenho a impressão de que, antes de chegar às decepções e ao final ruim, alguma coisa deve sobrar como lembrança da felicidade do começo.
Esse pequeno ou grande prazer que de alguma forma pode nos proporcionar uma escolha errada que fazemos, é o que de maneira nenhuma acontece quando o que vem nos atormentar são consequências de escolhas que fizeram por nós. Aí a coisa muda de figura. O sofrimento dói mais.
E é como me sinto agora. Vendo, à minha frente, um caminhão-bala dirigido a toda velocidade por pessoas insanas que fugiram de algum lodaçal de ignorância e vieram nos atingir, aleijar e deixar sem esperanças.
A meu favor, só tenho um mantra, aliás dois.
O primeiro veio de um romance magnífico, “Um cavalheiro em Moscou”, de Amos Towles. É a história de um aristocrata russo, um perfeito homem do mundo, refinado e culto (coisa tão rara!), que por circunstâncias y e z é obrigado a viver em um quartinho do sótão de um grande hotel de Moscou onde tinha por costume se hospedar. Era-lhe permitido zanzar por salas e saguões do hotel, mas jamais, em nenhuma circunstância, botar os pés na rua. É dele a citação que agora faço minha:
“A adversidade se apresenta de muitas formas, e se um homem não domina suas circunstâncias está sujeito a ser dominado por elas.”
E a ela acrescento, quando já desperta não tenho vontade de me levantar da cama: “Um dia de cada vez”.

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Uma confusão e outro blog

Queridos visitantes:

Não sei bem o que aconteceu, mas quando quis modificar a cara deste blog, ele virou outro. Desde então, é lá que continuo as postagens. Preciso convocar algum expert para resolver esse problema, mas por enquanto, visitem o http://www.invencoesverdadeiras.com.br. É lá que estou postando.

Comecei também um outro blog experimental e de ficção. Passem lá para ver se gostam.

Os dois blogs são para vocês.

Um beijo,

Maria José

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Até

“Vou-me embora pra Pasárgada”…
Lá sou amiga do rei.

Volto em janeiro.
Beijos e gracias a todos que passaram por aqui neste desalentado 2013.

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